não sou um deus sou apenas um poeta
se subo o monte nenhuma musa espera por mim
subo o monte e sofro porque o pão não é partilhado
uns com muito e muitos sem nada
a liberdade por um triz
o medo domando jovens e velhos
como não sofrer nesse contexto?
não sou um deus sou apenas um bicho do mato
que um dia se descobriu poeta por sofrer demais
as dores do mundo doem em mim
escrever é o meu jeito de fazer justiça
falar versos aos ventos
deixá-los escritos é minha sina
completa minha existência de mortal.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Lua de agosto
lua cheia de agosto
bolacha fogosa sobre a cidade
bolacha fogosa da minha infância
nas alturas sobre nós
não sacia a fome dos homens Mas enche os meus olhos de encantos.
Perto do fim
quanto mais conto os dias
mais próximo fico do meu fim
vai ficando o calendário com riscos e anotações
após o meu sétimo dia de ausência
ele e outras tralhas irão para o saco preto de lixo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
(In)domável
sou poeta desta cidade há mais de 30 anos
e ainda estou no espelho do anonimato
andando pelas ruas, sou visto e reconhecido?
sei que sou poeta desta urbe
o que ela sabe de mim?
vou e volto, vivo e morro
nestas idas e vindas
e ela nada sabe das minhas travessias
sou indomável, sou poeta
penduro poemas nos varais
solto minha voz no ar
avolumo poemas nos livros
o vento leva-os para longe?
mas para onde?
vasta é esta cidade mais vasto é o meu coração
terra que ninguém anda.
Coração de poeta
meu coração não é terra de ninguém
é terra desconhecida no meu peito
teus passos não ficaram lá
teu cheiro não domou minhas narinas
só Deus sonda estas terras do meu lado esquerdo.
Em tudo
outubro chegou ao fim
vejo-me mais moço
transbordando esperanças pelos poros
a felicidade fez-me companhia
e a solidão não deu as caras por aqui
não me faltou palavras para um poema
porque a poesia é minha amiga
e eu a vejo em tudo até na minha caneca dileta.
terça-feira, 7 de outubro de 2025
De uma memória Juvenil
quando tu vinhas sob o sol matinal
com aquela farda do colégio Sant’Ana
tu eras mais linda do que o cavalo dileto do faraó
tu me abrias um sorriso e eu lhe destinava outro bem maior
eu a queria tanto mas tu a mim nem um pouco.
Por um instante
sigo
uma ilusão de olhos azuis
sua
cintura é bem desenhada
suas pernas firmes vão a minha frente
consola-me segui-la pois ainda sou jovem
tenho todo o tempo do mundo
nas linhas das minhas mãos
e ainda não temo a morte
com ela tudo é incerto
mas eu a quero mesmo assim
nem que seja por um instante.
O que me resta
as vezes só me resta um gemido
as vezes só me resta o teu olhar
as vezes só me resta um aceno de um desconhecido
as vezes só me resta uma punheta
as vezes só me resta escolher uma estrela solitária
assim como eu no imenso céu
as vezes só me resta a memória da tua nudez
as vezes só me resta um sonho picante da noite passada
as vezes só me resta a tua bunda que tu me exibes no instagram
as vezes só me resta uma folha em branco na qual se desliza
uma esferográfica buscando um poema e nada mais.
sábado, 13 de setembro de 2025
De um sopro de Djavan
o sol dobra a esquina, baby…
estas reticências omitem a continuidade do verso?
estas reticências calam a voz para que o silêncio fale?
estas reticências se deixam dizer ou se calam?
baby a esquina não é uma linha reta
e só eu sei quantas conheci sob o sol.
Clamare
sirvo-te desde minha juventude, oh inspiração!!
vinde a mim, os meus leitores estão a cobra-me poemas
tenho dito a eles que tu me abandonaste
deitei nos versos o que me davas
segui teus comandos, silêncios e fúrias
vinde a mim, oh inspiração!!
transformai em poesia a borboleta transparente
que prendia o cabelo de uma dama que eu vi distante
e ainda está na minha memória
vinde inspiração, vinde!!
No olhar matinal do poeta que amanhecia o novo dia
nesta manhã de 7 de setembro de 2025
o sol amanheceu com cara de lua cheia
vi a lua sobre o sol
sol e lua bem fundidos
tal qual a+a gerando crase
vi a lua cobrindo o sol
a lua e o sol numa foda intensa
vi-os nas alturas celestiais
e eu amanhecia na longa estrada
sobre uma bicicleta.
Assinar:
Comentários (Atom)
